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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Dos Bootlegs e Engenheiros de Som

Como eu dizia na última postagem falando sobre o outro blog, o Programa Bluga, não enxergo motivos para escrever resenhas de álbuns, dessas aos montes por aí. Seguindo essa linha, existem menos razões ainda para (re)disponibilizar álbuns encontrados nas pesquisas em blogs. Mas tenho fortes dúvidas quanto a este posicionamento, sobre os ideais para o Programa Bluga, já que existe um ou outro material que não está disponível na rede, que desapareceu ou simplesmente é raro, e esse pode ser interessante disponibilizar. E nesse material, se encaixam os bootlegs.

Para quem não sabe do que se trata, o termo bootleg se aplica mais comumente a gravação, autorizada ou não, do ao vivo de uma banda qualquer. Essa prática vem desde que existem gravadores creio eu e gerou alguns arquivos que considero históricos, gravações únicas! Ouso dizer quem sabe que algo deste naipe surgiu antes do primeiro álbum ao vivo oficial ser lançado. E se não o foi, provavelmente a proliferação destes lançamentos foi impulsionada pelo absurdo número de bootlegs. Afinal, é possível encontrar gravações para cada show de uma turnê de bandas grandes, seja a captura direto da mesa de som, seja ela monofônica com microfone e gravador escondidos no meio da platéia.

Atrelado a essa prática, surgiu o fenômeno do colecionismo dos bootlegs. Infindáveis catálogos pessoais, canais de troca de material e grandes ofertas de soma em dinheiro para conseguir uma cópia provam o valor dessas famigeradas gravações. Eu mesmo tenho uma seleção de arquivos. Vale lembrar também que há um sem-número de modos de classificação desse áudio, segundo qualidade, processo de captura e outros pormenores.

Hoje, esta prática se tornou absurdamente mais simples. Houve um barateamento e miniaturização dos aparatos tecnológicos que permitem capturar áudio e/ou o vídeo, possibilitando o mais comum dos mortais perpetrar o ato sem nem se dar conta. Embora não se encaixem exatamente no termo, os tantos vídeos de shows no YouTube são reflexo imediato disto.

No entanto, mesmo com todo o avanço tecnológico, ainda é difícil encontrar bootlegs de boa qualidade. Isso me leva a crer que apesar do equipamento ter ficado com muito mais luzes piscantes, o que sempre importou é o ouvido do engenheiro de som. Sua percepção e conhecimento são fundamentais para que de início o áudio de retorno aos músicos seja bom, para que estes adéqüem seus instrumentos ao equipamento e condições do ambiente e, assim, propiciar a platéia o melhor som, o que também é assistido pela mesa. Este tipo de tarefa parece simples, mas pensando que pra toda faixa os diversos canais da mesa de som podem ser retrabalhados a cada excerto da música, ao longo de duas horas de show constata-se que isto é uma loucura.

Chega a ser absurda a quantia de bootlegs ruins hoje, comparados a antigamente. Numa dada proporção, a popularização dos equipamentos de som nas mãos de pretensos disc jockeys é responsável por isso. Surgem técnicos de som tentando se profissionalizar, ou simplesmente oferecendo seu trabalho ainda-ou-sempre amador a bandas que mereceriam mais. Mas não creio que este profissional se forme sem muito estudo, apoio de vozes mais experientes e horas em cima de suas ferramentas de trabalho.

Claro, os bootlegs ruins de trinta anos atrás já foram descartados, o que corrobora a imagem de que os antigos eram superiores. Na época, não valeria a pena gastar toda uma fita de cromo para replicá-los, que dirá pensar em investir na prensagem de uma bolacha. Hoje os arquivos digitais, do mp3 ao FLAC, permitem aos mais afoitos guardar muito lixo em seus discos rígidos. No final,os tais antigos ainda são os melhores, porque sofreram uma seleção de vinte, trinta anos para chegar às nossas mãos. Isso sem considerar que muito provavelmente estes são o registro ao vivo de bandas que não tocam mais, ou no mínimo de uma turnê em específico.

Sim, eu adoraria disponibilizar bootlegs de uma série de shows. Devidamente autorizados pela banda, sem dúvida. Aliás, tenho em mãos um material ao vivo de um pessoal já resenhado no Programa Bluga, que tenciono disponibilizar lá. Veremos isso.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Programa Bluga e outras histórias

Outro propósito para este blog, que creio ser invariavelmente natural, é expor as idéias relacionadas à música, que não caberiam em outra iniciativa minha, o Programa Bluga. Que por sinal está linkado ali do lado, desde sempre!

Primeiro dos materiais que escrevi pensando em levá-los a público, o Bluga é a reunião de pessoas com linhas de pensamento próxima tentando produzir algo na esfera musical. Ali, nós fazemos resenhas de shows de bandas, comumente da região de São Carlos, Araraquara e afins, sob a pretensão de divulgar amplamente material de relevância. Isto segundo o gosto destes idealizadores, em teoria.

Relatar com textos as impressões da imagem e som de uma apresentação ao vivo não é das coisas mais simples, mas tentamos. Com o texto o mais fiel possível a perspectiva do espectador, deixa-se então ao leitor avaliar se vale à pena ou não ouvir o som daquela banda no palco, ou mesmo o material gravado e trazido num myspace ou tramavirtual. Claro, este é um disfarce para a tentativa, das mais tolas esperanças, que seria o elucidar dos incautos. E sobre outra capa está o real objetivo, que é manter vivos alguns trabalhos que não gostaríamos que desaparecessem, para continuarmos vendo-os tocar. E quem sabe para que eles não desapareçam na história da música, se é um blog é uma boa referência ou se nós somos um parâmetro.

Embora nem sempre atingindo o aspecto que nós julgamos aceitável, várias bandas por lá tem sempre um quê de interessante e senão o show ao vivo. Mas estranhamente por vezes os posts não refletem a intenção inicial, que seria espalhar por aí estilos e sub-estilos do Rock Progressivo. Essa declaração está envolta em controvérsias porque recaímos em resenhas de bandas que nem chegam perto dessa proposta.

Para isso, há algumas explicações. A mais honesta de todas é que ouvimos várias outras coisas, que simplesmente nos despertam interesse e acabamos procurando bandas nesse sentido. Outra justificativa é que nos deparamos sempre com a barreira de espaço-tempo cotidiana: Não se pode estar no lugar que se quer quando se quer. Ou seja, acaba-se perdendo bandas das mais bacanudas, que não estão ao alcance da mão e a massiva maioria das bandas do universo nos é desgostosa. Mesmo porque senão fosse assim as paradas de sucesso não existiriam, porque tudo seria altamente fodástico e não haveria grandes nomes na história, porque tudo tem uma qualidade execrável. E a mais recente idéia que justifica o desvio de nossa pontaria é a necessidade de se divulgar a música que não aquela imposta ao mercado, mas a do gosto do mercado (sobre isso discutimos em outra ocasião).

A última consideração tem levado a caminhos interessantes. Uma montanha de questionamentos existe quanto aos nossos textos, sobre a real necessidade deles. O sentimento ainda aponta que sim. Sobre a relevância deles para o público, pensando se alguém de fato os lê, na integra, se os textos não são prolixos demais, são outros aspectos, por exemplo. Mais recentemente as publicações têm deixado de lado a faraônica descrição de uma ou duas horas de um show, cobrindo festivais e dando um parágrafo a cada banda, sendo menos verborrágico. Claro que são experimentações, para definir novos formatos. Outra experimentação seria conseguir novos colaboradores, seja de onde forem, para simplesmente aumentar exponencialmente as publicações de posts do blog e abranger mais e mais do que a grande mídia não cobre, oferecendo oportunidades de escolha e decisão reais.

Aproveitando o ensejo, se alguém quiser colaborar nesse sentido, escrevendo algum material sobre show ao vivo, estaríamos dispostos a publicar no Programa Bluga, fazer uma parceria, agregando um novo colaborador e tudo o mais! Outro dia desses tivemos nossa primeira colaboração, de uma parceira em outro projeto, o que foi interessante, ao adicionar novo estilo a publicação, outra visão às nossas limitações.

Agora, porque fazer apenas resenhas de shows ao vivo era simples explicar: porque resenhas de álbuns tem aos montes por aí. Só que isso ERA simples. Um sem número de bandas por aí não conseguem a devida atenção e seu material passa batido. Quem sabe mudemos a filosofia do blog, apesar das duvidas quanto à capacidade enquanto críticos de fato.

Esta era a explicação que sempre fiquei devendo, dos porquês do Bluga. Muito embora estes cenários não sejam muito precisos e nem cronológicos.